Preçode Verdade

O método do laudo

Num aparelho de R$ 150 ninguém passa três semanas pesquisando. A pessoa vê o "de R$ 299 por R$ 159", faz a conta de cabeça e compra. O problema é que o número de cima foi digitado pelo próprio vendedor, e ninguém confere se o produto um dia custou aquilo. Este site confere.

Um caderno, uma anotação por dia

Todo dia registramos quanto cada anúncio acompanhado está cobrando de fato. Não o valor riscado, não o valor sugerido: o que está na etiqueta naquele momento. Ao fim de algumas semanas existe uma coisa que a tela da loja não mostra — a série do preço.

O valor praticado

Chamamos de praticado a mediana da série: o valor que fica no meio da fila quando todos os dias são ordenados. Metade dos dias custou mais que ele, metade custou menos.

Usamos a mediana, e não a média, porque a média se deixa empurrar por um único dia estranho. Três dias com o preço dobrado sobem a média do mês inteiro; a mediana nem se mexe. E a pergunta que interessa aqui é exatamente essa: no dia a dia, quanto este anúncio cobra?

Por que a régua é de 8%

Um anúncio nunca fica parado no centavo. Frete, disputa entre lojas e ajuste de estoque mexem no valor o tempo todo, e nessa faixa de preço a oscilação normal é grande em proporção: dez reais num fone de R$ 130 são quase 8%.

Por isso só chamamos de desconto quando o dia de hoje está 8% ou mais abaixo do praticado, e só chamamos de inflado quando está 8% ou mais acima. No meio dos dois, o laudo é "preço de sempre" — e essa é a resposta mais comum, porque é a verdade mais comum.

Os sites da mesma família que cuidam de produto caro usam uma régua mais apertada, de 5%. Lá, 5% de uma geladeira são duzentos reais e a diferença aparece no bolso. Aqui, a mesma régua transformaria ruído de frete em manchete.

O pico armado

Há um padrão que o caderno pega e a tela da loja esconde: o anúncio sobe, fica alguns dias lá em cima e depois volta. Quando isso acontece, o vendedor passa a ter um número alto e verdadeiro pra colocar como preço riscado — o produto realmente custou aquilo, por uma semana, no mês passado.

Quando o pico dos últimos 30 dias fica pelo menos 10% acima do praticado e o preço de hoje já cedeu, marcamos isso na página e mostramos os três números juntos: o pico, o de hoje e o praticado. Aí fica visível de qual deles o desconto anunciado está sendo contado.

Quando não assinamos laudo

Anúncio com menos de 14 dias de caderno não recebe laudo. A página existe, mostra o gráfico e diz quantos dias faltam — mas não finge ter opinião formada.

Também recusamos histórico maluco. Quando o valor variou mais de 80% entre o menor e o maior do período, quase sempre é o vendedor trocando o produto por trás do mesmo anúncio. Comparar o preço de hoje com o de outro produto não responde nada, então ficamos calados.

Só o que dá pra comprar

O anúncio é reconferido de tempos em tempos no Mercado Livre. Se ele saiu do ar, ou se o produto deixou de estar naquele catálogo, ele sai daqui. O melhor laudo do mundo sobre uma página que não existe mais é desperdício do tempo de quem leu.

Cada produto em um só lugar

Esta publicação faz parte de um conjunto, e cada uma cobre uma faixa de valor e uma pergunta diferente. Em qual delas um anúncio entra é decidido uma vez, registrado, e nunca mais revisto: o que está aqui não aparece em nenhuma das outras e continua aqui enquanto o anúncio existir, mesmo que o preço dele mude depois.

Como isto se paga

Quando você clica para abrir a loja, o link carrega nossa marcação de afiliado. Se a compra acontece, a plataforma nos paga uma comissão, e o seu preço é exatamente o mesmo com ou sem o link.

Isso não toca em nenhum laudo, e a prova está publicada: existe uma lista aberta dos anúncios que estão inflados hoje. Dizer "este está caro" é a frase que menos rende comissão que existe, e ela aparece aqui todo dia.